Preparar o escritório para a Reforma Tributária exige cinco frentes: diagnóstico da carteira, priorização dos clientes mais expostos, adequação de sistemas e documentos fiscais, capacitação da equipe e comunicação ativa com os clientes. O trabalho já começou: 2026 é o ano-teste da CBS e do IBS (LC 214/2025) e a transição segue até 2033.
Se o plano para preparar o escritório para a Reforma Tributária ainda é esperar a regulamentação amadurecer, o prazo já passou: o ano-teste da CBS e do IBS está em curso desde janeiro de 2026 e a alíquota integral da CBS chega em 2027. Quem ainda não começou já está atrasado.
A mudança não se resume à troca de PIS e COFINS pela CBS. Muda a lógica de apuração, de crédito e de emissão de documentos fiscais, com dois sistemas tributários convivendo durante a transição. Para o escritório contábil, isso significa mais horas de trabalho por empresa, rotinas novas e clientes com dúvidas que não podem esperar.
Por que o escritório contábil precisa se preparar agora para a Reforma Tributária?
A base legal está completa. A Emenda Constitucional 132/2023 desenhou o novo sistema, a Lei Complementar 214/2025 instituiu a CBS, o IBS e o Imposto Seletivo, o imposto do pecado, e a LC 227/2026 criou o Comitê Gestor do IBS em janeiro de 2026. O marco da regulamentação está fechado.
Desde o início do ano, os documentos fiscais devem destacar a CBS a 0,9% e o IBS a 0,1%. Pelo Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025, a apuração de 2026 tem caráter informativo e o recolhimento fica dispensado para quem cumprir as obrigações acessórias. O custo de participar do ano-teste é baixo. O custo de ignorá-lo aparece em 2027, quando a CBS assume a alíquota integral e PIS e COFINS são extintos.
O período de transição aumenta a complexidade operacional
De 2027 a 2032, o escritório apura dois sistemas ao mesmo tempo: ICMS, ISS e IPI de um lado, IBS, CBS e IS do outro, com ICMS e ISS sendo reduzidos gradualmente entre 2029 e 2032, até a vigência integral do novo modelo em 2033. A conta prática veio da presidente do Sescon-RS, Paula Dahmer, no programa Faz a Conta, da Fecomércio-RS: uma apuração que levava 15 horas por empresa tende a consumir de 20 a 25 horas. Multiplique esse número pela carteira.
O artigo Quando entra em vigor a Reforma Tributária detalha o cronograma da vigência em 2026.
Os riscos de esperar para agir
O primeiro risco é operacional: a nota com os campos de IBS e CBS preenchidos de forma errada é rejeitada, e o erro de emissão não se corrige na apuração, exige um novo documento. O segundo é comercial: consultorias e casas de software já operam no limite da capacidade, e o cliente que não recebe orientação do próprio contador recebe de outro. Ana Lara Martins, da Martins Barros Contabilidade, resumiu no podcast “O Jogo da Reforma” o efeito de antecipar o trabalho na carteira: “eu fui tão antecipada que não dei tempo de outro”.
O que muda na rotina dos escritórios contábeis?
O documento fiscal assume o papel de confissão do débito: o que estiver na nota emitida com IBS e CBS vale para a apuração, com um CST próprio, o campo cClassTrib (uma tabela de 164 códigos ligados aos artigos da LC 214/2025, na versão de 23/06/2026) e sem o CFOP para os novos tributos. A parametrização em massa entra na rotina: no podcast “O Jogo da Reforma”, a Martins Barros relata clientes com 20 mil ou 30 mil itens no cadastro.
A lógica de crédito muda de natureza: o crédito é financeiro e depende do recolhimento na etapa anterior, o que coloca a cadeia de fornecedores dentro da análise tributária. O split payment na Reforma Tributária mexe no caixa dos clientes, que hoje seguram o valor do tributo por 30 a 45 dias entre a venda e o vencimento da guia.
As obrigações acessórias mudam, as integrações entre o ERP do cliente e os sistemas do escritório precisam acompanhar, e a classificação fiscal exige leitura item a item, porque as reduções de 60% e de 100% da LC 214/2025 alcançam produtos específicos, não famílias inteiras. Nem tudo pesa contra: a apuração será única e nacional por empresa, e não por estabelecimento.
Como montar um plano de ação para a Reforma Tributária
Um plano realista tem cinco etapas:
- diagnóstico da carteira;
- priorização dos clientes mais expostos;
- cronograma amarrado às fases da transição;
- definição de responsáveis internos; e
- revisão periódica das premissas.
Isso porque a regulamentação segue evoluindo. O cronograma da Martins Barros mostra o desenho na prática: comunicação com os clientes a partir de agosto de 2025, e-mails segmentados em setembro, visitas presenciais em novembro, tudo antes de o ano-teste começar. Tratar o plano como projeto de um trimestre não funciona: as decisões de 2026 precisarão de revisão em 2027 e 2028.
Aprenda o passo a passo com detalhes no episódio:
Como mapear os clientes mais impactados pela Reforma Tributária
O primeiro corte é o destino da venda. A empresa do Simples Nacional que vende ao consumidor final muda pouco. A que vende para outras empresas enfrenta a conta do crédito, porque o adquirente tende a preferir fornecedores que geram crédito cheio.
Em carteira com peso de Simples Nacional, esse filtro sozinho reorganiza a fila de atendimento, ainda mais com a primeira janela de opção pelo regime híbrido no Simples Nacional marcada para setembro de 2026, com efeitos em 2027.
Depois entram os perfis de risco: prestadores de serviço intensivos em mão de obra, porque a folha não gera crédito, clientes com benefícios fiscais estaduais, operações de locação e empresas que usam o valor do tributo como capital de giro.
O peso da classificação fiscal aparece nos números: em uma simulação prática, uma empresa projetava carga de R$ 36,8 mil e, após a aplicação correta das reduções item a item, a projeção caiu para cerca de R$ 6,6 mil. Os valores dependem das premissas de cada operação, mas a diferença vem da qualidade do cadastro, não da alíquota média.
Como preparar equipe, processos e sistemas para a transição
A equipe precisa dominar a lógica de IBS, CBS e IS antes que o cliente pergunte, e o treinamento não se limita ao time fiscal: quem atende, quem revisa documentos e quem conversa com o cliente também entra. Nos processos, vale a disciplina que a Martins Barros aplica desde o SPED: auditoria tributária, ou seja, auditar a obrigação acessória antes de transmitir, erro por erro, ainda que de um centavo.
Nos sistemas, o critério é escala, porque ferramentas que exigem milhares de XMLs e cálculo item a item travam quem atende dezenas de CNPJs. E há a conversa interna sobre honorários: se a apuração vai consumir mais horas, o custo da transição não pode ficar com o escritório.
Como orientar clientes sobre a Reforma Tributária
A orientação rende mais quando é organizada em conversas específicas: preço (manter, reduzir ou repassar o novo tributo), fornecedores (quem gera crédito e quem não gera), decisão do Simples, fluxo de caixa e forma de recebimento.
Um exemplo didático resolve a conversa mais difícil, a do caixa. Em números redondos: numa nota de R$ 1.000 com R$ 250 de tributo, o cliente recebe R$ 750 com o split payment, e o fôlego de 30 a 45 dias com o dinheiro do imposto acaba. Os valores são de ilustração — a carga de cada operação depende do enquadramento e da alíquota de referência em vigor. No método da Martins Barros, a comunicação foi cliente a cliente: e-mail, WhatsApp, ligação e visita, com tabela pronta de CST, cClassTrib e alíquotas para o cliente ajustar no sistema emissor.
Como transformar a Reforma Tributária em oportunidade para o escritório
A mesma complexidade que assusta abre contratos novos: assessoria contínua durante a transição, cuja fase mais intensa vai de 2027 a 2032, projetos de classificação fiscal, análise da cadeia de fornecimento e estudos de precificação. Para dimensionar, a aritmética é simples e o preço é decisão de cada escritório: dez clientes em assessoria mensal de R$ 2 mil somam R$ 240 mil por ano em receita recorrente.
O caso da Martins Barros mostra o efeito na relação: houve cliente pedindo espontaneamente o aumento do honorário diante do trabalho da transição, e clientes novos chegando por indicação de empresários bem atendidos.
Como a e-Auditoria ajuda escritórios contábeis na preparação para a Reforma Tributária?
Manter essa entrega em escala exige tecnologia. As soluções de Reforma Tributária da e-Auditoria foram construídas para isso: o Planejamento Tributário na Reforma projeta a carga dos quatro regimes — Simples Unificado, Simples Híbrido, Lucro Presumido e Lucro Real — ano a ano, de 2027 a 2033, com o motor amarrado à LC 214/2025. Ele parte de poucos parâmetros, o que atende ao estudo de um cliente e à leitura da carteira inteira. A projeção é uma estimativa direcional: ela orienta a conversa, e a decisão continua com o contador. Já a consulta de Tributação na Reforma responde como cada NCM ou NBS será tributado, com a base legal correspondente.
Conheça o Planejamento Tributário na Reforma da e-Auditoria e comece o diagnóstico da sua carteira.
O que separa quem começa agora de quem espera
Preparar o escritório contábil para a Reforma Tributária é um trabalho de anos. Quem começa agora aproveita o ano-teste para ajustar sistemas, processos e cadastros com o recolhimento dispensado, orienta os clientes antes das decisões críticas e chega a 2027 com método. Quem espera fará o mesmo trabalho em 2027, com prazo menor e o cliente já perguntando.
Perguntas frequentes sobre como preparar o escritório para a Reforma Tributária
Verificando se o sistema emissor atende às notas técnicas, revisando cadastros e classificação fiscal, qualificando fornecedores pela capacidade de gerar crédito, recalculando a formação de preços e avaliando o efeito do split payment no caixa. Contratos longos renovados agora já devem prever as novas regras, e o contador é quem conduz esse checklist.
Padronizando processos, automatizando tarefas repetitivas de conferência e apuração, capacitando a equipe nas mudanças legislativas e adotando ferramentas de auditoria digital e simulação. A modernização vale pelo tempo que devolve à equipe para o trabalho consultivo, que é onde a Reforma Tributária vai concentrar a demanda.
A transição da Reforma Tributária amplia a demanda por orientação técnica até 2033: entre 2027 e 2032 a apuração roda em dois sistemas ao mesmo tempo, conforme a LC 214/2025. A concorrência, porém, exige diferenciação, e o que a Reforma abre são serviços de escopo definido — diagnóstico de carteira, classificação fiscal e acompanhamento da transição.
Em 2026, a CBS (0,9%) e o IBS (0,1%) aparecem destacados nos documentos fiscais e a apuração tem caráter informativo, com recolhimento dispensado para quem cumprir as obrigações acessórias, conforme o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025. Em 2027, a CBS assume a alíquota integral, PIS e COFINS são extintos e o Imposto Seletivo entra em vigor. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS são reduzidos gradualmente, até a vigência completa em 2033.
As empresas do Simples preenchem os novos campos e definem o modelo de recolhimento a partir de 2027. A escolha entre manter IBS e CBS dentro do DAS ou recolher por fora, no modelo híbrido, tem primeira janela de opção em setembro de 2026 e deve ser simulada caso a caso, principalmente para quem vende para outras empresas.
Fontes
- Emenda Constitucional 132/2023 (Planalto)
- Lei Complementar 214/2025 (Planalto)
- Lei Complementar 227/2026 (Planalto)
- Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025 (Receita Federal)
- Orientações da Reforma Tributária para 2026 (Receita Federal)
- Comitê Gestor do IBS: orientações sobre a entrada em vigor de CBS e IBS (CGIBS)
- O Jogo da Reforma #9 — Como a Martins Barros Contabilidade está se preparando para a Reforma em 2026 (canal e-Auditoria no YouTube). O cronograma de comunicação, o método cliente a cliente, os clientes com 20 mil ou 30 mil itens no cadastro, a simulação de R$ 36,8 mil para R$ 6,6 mil e a citação de Ana Lara Martins vêm deste episódio
- Quando entra em vigor a Reforma Tributária? (e-Auditoria)
- Split Payment Reforma Tributária e capital de giro (e-Auditoria)
- Simples Nacional híbrido: como decidir antes de 30 de setembro de 2026 (e-Auditoria)

