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NFS-e Simples Nacional: o prazo mudou, e o que vem em 2027 muda mais

A CGSN 191 revogou a 189 e moveu a NFS-e Nacional obrigatória para 01/11/2026. O que muda na emissão pelo Emissor Nacional e na apuração da carteira.

A NFS-e Nacional torna-se obrigatória para ME e EPP optantes do Simples Nacional em 1º de novembro de 2026, conforme a Resolução CGSN nº 191, de 4 de agosto de 2026, que revogou a Resolução CGSN nº 189/2026. A emissão ocorre pelo Emissor Nacional, em aplicação web ou via API.

Escritórios que atendem prestadores de serviço convivem com uma rotina fragmentada: cada cliente em um município, cada município com um portal próprio de nota, cada portal com leiaute, regras e instabilidades particulares. A NFS-e no Simples Nacional entra na fase que encerra esse modelo — e o calendário dessa virada mudou no meio do caminho.

A Resolução CGSN nº 189/2026 marcava a obrigatoriedade para 01/09/2026. Em 4 de agosto, a Resolução CGSN nº 191 revogou aquele texto e levou a data para 01/11/2026. Quem organizou a carteira pela norma anterior trabalhou agosto e setembro contra um prazo que já não existia. Quem soube da prorrogação tende a tratá-la como folga.

A folga é menor do que parece, e não é a única data em jogo. Da publicação da 191 no Diário Oficial da União, em 10/08/2026, até a virada, são menos de três meses. E dois meses depois vem uma segunda mudança, de natureza diferente: em 01/01/2027, o documento do optante passa a carregar IBS e CBS. Tratar as duas como uma só é o que produz cadastro refeito duas vezes.

O que determina a Resolução CGSN nº 191/2026

A Resolução CGSN nº 191, de 4 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial da União de 10/08/2026, altera a Resolução CGSN nº 140/2018, que regulamenta o Simples Nacional. O texto define três pontos principais.

Primeiro, a emissão da NFS-e de padrão nacional torna-se obrigatória para ME e EPP optantes sempre que houver prestação de serviço sujeita ao documento. Segundo, a emissão ocorrerá exclusivamente pelo Emissor Nacional, nas modalidades web ou API: os sistemas municipais saem do fluxo de emissão dessas empresas. Terceiro, fica vedada a NFS-e de padrão nacional em operações sujeitas exclusivamente ao ICMS, caso da venda de mercadorias.

A obrigação alcança ainda dois grupos específicos: empresas com opção pelo Simples pendente ou em discussão administrativa ou judicial que possa resultar em inclusão retroativa no regime, e empresas sob os efeitos de impedimento previsto na regulamentação do Simples Nacional, mesmo sem essa possibilidade de retroatividade. A nota emitida no padrão nacional tem validade em todo o território nacional e é elemento suficiente para a constituição do crédito tributário.

Imagem de miolo NFS-e Simples Nacional

Quem é obrigado a emitir a NFS-e de padrão nacional?

Microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional que prestam serviços sujeitos ao ISS. A regra inclui empresas com pedido de opção em análise, em discussão administrativa ou judicial, ou sob impedimento com possibilidade de enquadramento retroativo. O MEI prestador de serviços já emite pelo Emissor Nacional desde setembro de 2023.

Quando a NFS-e nacional se torna obrigatória para o Simples Nacional?

Em 01/11/2026, para ME e EPP optantes em todo o país, conforme a Resolução CGSN nº 191/2026. O prazo de 01/08/2026, divulgado para profissionais autônomos e liberais isentos, é regra do município de São Paulo, apoiada na Lei municipal nº 14.864/2008, e não consta da resolução nacional.

Boa parte do conteúdo publicado sobre o tema trata o prazo de agosto como regra nacional, mas a Lei nº 14.864/2008 é municipal, de São Paulo, e cobre a isenção de ISS de autônomos e liberais inscritos no cadastro da cidade, uma categoria de contribuinte pessoa física que nem está sujeita ao Simples Nacional. Com a prorrogação nacional para novembro, a confusão de datas cresceu: agora circulam três prazos diferentes para o mesmo assunto. Para o escritório, a distinção evita comunicação equivocada com clientes de outros municípios.

Como funciona a emissão pelo Emissor Nacional

Demonstração guiada

Cada PGDAS que sai do escritório carrega uma classificação que alguém fez à mão, nota por nota.

Você escolhe o cliente e o período. O Motor do Simples Nacional roda sobre aquela apuração e o especialista aponta onde o resultado diverge do seu.

Mais de 35 mil profissionais contábeis usam a e-Auditoria.

O Emissor Nacional é a plataforma pública mantida pela Receita Federal em parceria com os municípios, segundo o Portal Nacional da NFS-e. A emissão parte da Declaração de Prestação de Serviços, a DPS: o contribuinte informa os dados da operação, o ambiente nacional valida, gera o XML da NFS-e e devolve o documento. O comprovante é o DANFSe, com leiaute único e QR Code de validação.

Há dois canais. O emissor web atende empresas com volume baixo de notas, com preenchimento manual no portal. A API atende quem emite dezenas ou centenas de notas por mês, com integração entre o sistema de gestão e a SEFIN Nacional. Antes de emitir, cada empresa precisa de cadastro completo no portal: dados cadastrais, atividades CNAE e correlação com a lista de serviços da Lei Complementar nº 116/2003.

O que acontece se continuar emitindo pelo portal da prefeitura?

Após 01/11/2026, os portais municipais ficam restritos a duas funções para as empresas do Simples: consulta de notas já emitidas e emissão retroativa de documentos com fato gerador anterior à obrigatoriedade. Novas emissões serão rejeitadas. Prefeituras como a de São Paulo já comunicaram a restrição aos contribuintes.

Precisa de certificado digital para emitir pelo Emissor Nacional?

Para a emissão da NFS-e Simples Nacional via API e para boa parte dos acessos da empresa, sim: o certificado digital padrão ICP-Brasil, A1 ou A3, autentica a comunicação com o ambiente nacional. Certificado vencido é um dos motivos mais comuns de travamento na migração, e a emissão de um novo leva dias. Esse é o primeiro item do checklist.

O que muda em 01/01/2027: IBS e CBS no documento do optante

São duas viradas distintas, com dois meses de distância, e elas não pedem a mesma preparação. Em 01/11/2026 mudam o canal e o padrão do documento. Em 01/01/2027 muda o que o documento carrega.

A própria Receita Federal tratou a distinção ao explicar a aplicação conjunta da Resolução CGSN nº 191/2026 com o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026. Até 31/12/2026, as empresas enquadradas no Simples permanecem sujeitas às regras próprias do regime simplificado, e vale apenas a obrigatoriedade de emissão pelo Emissor Nacional. A partir de 01/01/2027, com a incidência da CBS e do IBS nas hipóteses previstas pela Reforma Tributária, entram as disposições relativas a esses tributos para os optantes, incluindo os destaques de CBS e IBS no documento fiscal nas hipóteses previstas na regulamentação.

Para o escritório, a consequência prática é de cadastro. O preenchimento campo a campo do destaque depende de leiaute e nota técnica ainda em publicação — o que já está definido é o momento, não o formato. O elo entre as duas datas é a classificação tributária do item: é ela que hoje determina o anexo e a segregação da receita no PGDAS-D, e é ela que vai determinar o que será destacado quando o destaque existir. A tabela cClassTrib é onde essa classificação ganha código no novo sistema.

Um escritório que entrar em novembro com a base de classificação suja chega a janeiro corrigindo duas coisas ao mesmo tempo: a origem do documento e o conteúdo dele. Auditar a base antes de apurar é o que separa as duas viradas em vez de somá-las.

O que a padronização muda na apuração do Simples Nacional

O efeito menos comentado da Resolução vem depois da emissão. Com as notas de serviço das ME e EPP concentradas em um único ambiente de dados, a Receita cruza a receita documentada nas NFS-e com a receita declarada no PGDAS-D sem depender de fiscalização manual. A própria 191 prevê o acesso dos entes da federação aos arquivos da NFS-e, por área restrita do Painel Municipal e por ambiente compartilhado de dados.

Divergência entre nota e declaração aparece no cruzamento, e a cobrança chega ao cliente. O escritório que já convive com diferença de receita bruta entre NF-e e PGDAS terá esse risco ampliado. A Lei Complementar nº 214/2025 reforça o movimento: o mesmo ambiente servirá de base para a apuração de IBS e CBS sobre serviços.

Existe o outro lado. Nota padronizada é dado estruturado: o mesmo leiaute que facilita o cruzamento pela Receita facilita a leitura automatizada pelo escritório. A segregação de receitas no Simples Nacional de serviço, a aplicação do anexo correto e a conferência da retenção de ISS podem ser executadas por sistema, a partir do XML, com o time revisando exceções em vez de digitar dados.

No Simples Nacional, regime em que o erro de classificação altera o valor do DAS, essa diferença pesa no resultado do cliente.

O que acontece com a NFS-e depois da emissão?

Com a obrigatoriedade do Emissor Nacional, as notas de serviço seguem um padrão único. O desafio seguinte é integrar esses documentos à rotina mensal, classificar as receitas, aplicar o anexo correto e preparar o PGDAS-D sem ampliar o trabalho manual da equipe.

No Arena Fiscal, mostramos como automatizar esse fluxo, desde a captura das NFS-e e a segregação das receitas até a apuração do PGDAS-D e a geração do DAS.

Assista ao evento e veja o Motor do Simples Nacional em ação:

Como preparar a carteira até 01/11/2026

O prazo comporta uma migração organizada, desde que o trabalho comece agora. Um roteiro prático para o escritório:

  1. Mapeie os clientes prestadores de serviço e o volume mensal de notas de cada um.
  2. Verifique o certificado digital de cada empresa: validade, tipo e onde está instalado.
  3. Faça o cadastro no Portal Nacional, com atividades CNAE e correlação com a lista da LC 116/2003.
  4. Defina o canal de emissão: emissor web para volumes baixos, API para volumes altos.
  5. Emita notas de teste e valide o fluxo completo, da DPS ao DANFSe.
  6. Comunique cada cliente por escrito, com prazo e responsabilidades definidos.

Reserve ao menos 30 dias antes de 01/11/2026 para os testes, o que coloca o início da validação na primeira quinzena de outubro. Cadastro incompleto e certificado vencido concentram os travamentos relatados nas migrações municipais já concluídas.

Da NFS-e ao DAS: o papel da tecnologia

Concluída a migração da emissão, o ciclo mensal continua o mesmo: baixar e organizar os XMLs, classificar os serviços, segregar as receitas, apurar, conferir, transmitir o PGDAS-D, gerar o DAS e enviar ao cliente, tudo até o dia 20.

Feito manualmente, empresa por empresa, esse ciclo consome horas em tarefas que não exigem análise. A padronização da NFS-e permite automatizar a esteira inteira: o sistema importa os documentos, reconhece os serviços, monta a apuração, gera a prévia para conferência e transmite a declaração.

Dois pontos pedem atenção na automação. Empresas em regime de caixa exigem inserção manual da receita recebida, porque o XML documenta a competência. E atividades sujeitas ao Fator R pedem a folha de salários dentro da apuração, já que a razão entre folha e receita define o anexo aplicável.

Motor do Simples Nacional na rotina de serviços

O Motor do Simples Nacional, dentro da plataforma da e-Auditoria, segue uma sequência específica antes de fechar a apuração: primeiro audita a base fiscal, depois corrige as inconsistências encontradas, e só então executa o restante do fluxo para empresas de comércio e de serviço:

  • importa os documentos fiscais;
  • classifica itens e serviços;
  • segrega as receitas;
  • gera a apuração;
  • transmite o PGDAS-D; e
  • envia DAS, recibo e extrato ao cliente por e-mail.

Um painel de controle mostra o status de cada empresa da carteira: apurações finalizadas, pendências e declarações transmitidas.

Por estar dentro da plataforma da e-Auditoria, o tempo que o Motor devolve para a equipe de NFS-e tem destino: revisar períodos anteriores, rodar o Planejamento Tributário para a Reforma ou classificar produtos para o novo sistema.

O sistema aponta pendências em vez de decidir sozinho: certificado ausente, quebra de sequência numérica das notas, item sem classificação. O escritório escolhe entre transmitir de forma automática ou validar cada apuração antes do envio.

Para conhecer o fluxo em detalhe, agende uma demonstração do Motor do Simples e elimine 21 tarefas manuais da sua rotina.

Perguntas frequentes sobre a NFS-e no Simples Nacional

A alíquota do ISS muda com o Emissor Nacional?

Não. A Resolução CGSN nº 191 altera o padrão técnico do documento e o canal de transmissão. As alíquotas seguem os anexos da Lei Complementar nº 123/2006 e a legislação municipal aplicável a cada serviço.

MEI também é obrigado a usar o Emissor Nacional?

O MEI prestador de serviços já emite a NFS-e pelo Emissor Nacional desde setembro de 2023. A novidade da Resolução CGSN nº 191/2026 alcança as demais ME e EPP optantes pelo Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/11/2026.

Preciso cancelar as notas emitidas no portal municipal?

Não. As notas emitidas antes da obrigatoriedade permanecem válidas. Os portais municipais seguem disponíveis para consulta e para emissão retroativa de documentos com fato gerador anterior a 01/11/2026.

Empresa que só vende mercadorias precisa emitir NFS-e nacional?

Não. A Resolução veda a emissão da NFS-e de padrão nacional em operações sujeitas exclusivamente ao ICMS. Vendas de mercadorias seguem documentadas por NF-e ou NFC-e.

Como fica a receita de serviços na segregação do PGDAS-D?

A receita de serviços entra separada da receita de revenda, com o anexo definido pela atividade e, nos casos aplicáveis, pelo Fator R. Retenções de ISS na fonte precisam ser informadas para não haver recolhimento em duplicidade.

Quando os optantes do Simples passam a destacar IBS e CBS na nota?

A partir de 01/01/2027, segundo a Receita Federal, quando as regras de CBS e IBS produzem efeitos para os optantes do Simples Nacional. Entre 01/11/2026 e 31/12/2026 vale apenas a obrigatoriedade de emitir pelo Emissor Nacional, sem aplicação das regras de CBS e IBS no âmbito do regime.

Fontes

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Vanessa Dias

Graduada em Ciências Contábeis pela Faculdade Pitágoras de Juiz de Fora (MG), atua na área fiscal desde 2014 e atualmente é Analista de Pesquisa e Desenvolvimento na e-Auditoria.

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