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Receita Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal deflagraram nesta manhã a Operação Armadeira 2

A Corregedoria da Receita Federal, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal deflagraram nesta quarta-feira, 18/11, a Operação Armadeira 2, com o propósito de desarticular possível organização criminosa composta por agentes públicos, empresários e relacionados e que tinha por finalidade suposta prática de concussão, corrupção e lavagem de dinheiro.

A investigação é um desdobramento da Operação Armadeira, deflagrada em 02/10/2019, e identificou, a partir do material apreendido na primeira fase, de colaboração premiada de um auditor-fiscal e de novas diligências, um complexo arranjo que buscava reduzir a cobrança de tributos devidos ou blindar empresas de fiscalizações.

Após a deflagração da primeira fase da Operação Armadeira, deu-se seguimento às investigações criminais, principalmente com o apoio de levantamentos feitos pela Corregedoria da própria Receita Federal, que seguiu paralelamente na apuração administrativo-disciplinar do caso. Com o compartilhamento do resultado das medidas cautelares autorizadas judicialmente com o órgão correcional da RFB, foram produzidos relatórios que apresentam indícios veementes da prática de corrupção e de lavagem de capitais pelos Auditores-Fiscais investigados. Esses relatórios, ao lado de diversos outros elementos colhidos no curso das investigações, corroboram sobremaneira os graves fatos relatados pelo colaborador.

O prosseguimento das investigações foi possível, após a operação Armadeira, graças à colaboração premiada firmada com um dos auditores-fiscais investigados na primeira fase, que revelou detalhes do funcionamento do esquema de arrecadação de propina no âmbito da Superintendência da Receita Federal na 7a Região Fiscal, nas suas mais diversas ramificações, inclusive com a participação de servidores federais que ocupam postos estratégicos na Receita Federal do Brasil, bem como de contadores e empresários.

Na manhã de hoje, estão sendo cumpridos 46 mandados de busca e apreensão em residências, empresas e escritórios, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. As ações ocorrem nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Nova Iguaçu, Silva Jardim e Teresópolis, todos no Estado do Rio de Janeiro.

Entre os alvos da operação Armadeira 2, estão empresas de cigarros e bebidas, além de duas grandes redes de supermercados que se beneficiaram do esquema por serem objeto de fiscalização da Receita Federal pela suspeita de compra de notas frias para obtenção ilícita de créditos tributários, com consequente redução de pagamentos de impostos.

Uma das redes contava com a intermediação de um auditor-fiscal aposentado que presta assessoria ao grupo, com indícios de pagamento de propina desde 2007. A outra rede, com um contador que, de acordo com as investigações, possui íntima relação com Auditores-Fiscais integrantes do esquema.

Em razão dos fortes indícios da prática de atos de corrupção e de lavagem de dinheiro, a 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de bens dos investigados no montante total de R$ 519.851.578,24. E, em relação aos auditores-fiscais na ativa, determinou o imediato afastamento do cargo, como forma de acautelamento da ordem pública, evitando o prolongamento do pernicioso esquema enraizado no âmbito do Órgão Fazendário Nacional no Rio de Janeiro.

A operação, que contou com o apoio do Escritório de Pesquisa e Investigação (Espei07) e da Divisão de Vigilância e Repressão ao Contrabando e Descaminho (Direp07), teve a participação de cinquenta auditores-fiscais, 23 analistas-tributários e um agente técnico administrativo.

 

 

*Fonte:Receita Federal

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