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Arrecadação federal salta 9,56% em outubro com recolhimento de tributos diferidos na crise

A arrecadação do governo federal acelerou em outubro acima do esperado por analistas, com alta expressiva no recolhimento da maioria dos principais tributos, mostraram dados da Receita Federal nesta terça-feira.

O Fisco atribuiu o desempenho principalmente ao recolhimento de tributos cujo pagamento havia sido postergado, com aval do governo, como medida de alívio na crise da pandemia do coronavírus, mas também destacou o impacto da melhora de alguns indicadores macroeconômicos.

No mês passado, as receitas totais tiveram alta real de 9,56% sobre um ano antes, para 153,938 bilhões de reais.

O resultado veio acima da expectativa de arrecadação de 147,45 bilhões de reais, segundo pesquisa da Reuters com analistas.

De acordo com a Receita, o pagamento de tributos que haviam sido diferidos somou 16,252 bilhões de reais no mês, o que responde por boa parte do aumento de 18,736 bilhões de reais verificado na arrecadação total sobre outubro do ano passado.

Por outro lado, as compensações tributárias –em que as empresas usam créditos de impostos recolhidos a mais no passado– somaram 23,289 bilhões de reais, aumento real de 87% na comparação anual.

Em nota, a Receita chamou atenção para o aumento de 17,97% na arrecadação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre o mesmo mês do ano passado, para 31,889 bilhões de reais.

Outros tributos também tiveram altas expressivas, com destaque para IR da pessoa física (19,3%), Imposto sobre Produtos Industrializados (14,5%), receitas previdenciárias (15%) e Cofins-PIS-Pasep (20%).

Em todos esses casos há o impacto do recolhimento de tributos diferidos neste ano como medida de enfrentamento à crise. Ainda assim, Marcelo Gomide, coordenador de previsão e análise da Receita, destacou que uma parte importante do recolhimento de Cofins/PIS-Pasep, por exemplo, reflete um aumento das vendas das empresas. Os dados do IRPJ também apontam, segundo ele, melhora da atividade.

Já o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) caiu 71,2%, na esteira da redução temporária a zero das alíquotas do imposto aplicáveis nas operações de crédito, medida tomada para enfrentamento à crise do coronavírus.

Outubro foi o terceiro mês consecutivo de alta na arrecadação, após seis meses de queda. No ano, a arrecadação soma 1,180 trilhão de reais, 9,45% abaixo, em termos reais, do valor levantado de janeiro a outubro de 2019.

 

*Fonte: Uol Economia

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